domingo, maio 27, 2007

o reconhecimento

hoje, lia salteadamente a Bíblia e ancorei nesta passagem, que me reacendeu uma questão de sempre. um mote provocatório.



Um rei reinará de acordo com a justiça,

os seus príncipes governarão de acordo com o direito.


isaías - 32,1





percebe-se uma diferença, uma hierarquia entre justiça e direito, tal como rei e príncipe são nivelados. o direito será uma compilação descriminada de artigos ditados pela justiça, o que equivale a dizer ditados pelo rei; ou ditados superiormente ao rei, mas enunciados e geridos por ele. que rei poderá ter uma relação de identidade fusional com a justiça? acabo sempre por desembocar em Deus, porém o que está em causa é o plano terreno; teria de pensar numa presença humana mediadora, ainda que superiormente inspirada, com uma centelha divina na nascente do discernimento e, ainda assim, coloca-se o problema do reconhecimento de legitimidade, da reverência funcional, da evidência do sistema.


o problema do critério em nome do qual o primeiro rei foi rei.

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9 Comments:

Blogger luci said...

eu nem consigo comentar-te agora...

mas boa.noite

sim...consigo

desejar-te!




beijO

30 maio, 2007 00:55  
Blogger vértice avulso said...

LoL
é sempre bom receber um boa noite face ao problema da justiça:P

30 maio, 2007 14:31  
Anonymous f.a.m. said...

Creio que se deve ter sempre presente a máxima evangélica «A César o que é de César, a Deus o que é de Deus». Quer dizer: a Deus a justiça divina, ao homem a justiça humana. E ao rei, a qualquer rei, cabe apenas e só a justiça humana. E mesmo essa já tem tanto que se lhe diga...

31 maio, 2007 22:57  
Blogger vértice avulso said...

:)

mas o problema é o do reconhecimento de legitimidade entre os homens, o que sustentou o predomínio do exercício legal de uns sobre outros e a aceitação da fonte de autoridade.

01 junho, 2007 12:46  
Anonymous f.a.m. said...

«o que sustentou o predomínio do exercício legal de uns sobre outros e a aceitação da fonte de autoridade» foi, quanto a mim, a necessidade. Ou seja, o homem, no seu longo processo de socialização, foi-se dando conta de que, para que a vida em sociedade fosse possível, era necessário que uns mandassem e outros obedecessem; o que vai mudando é as modalidades e os limites do poder e da obediência.

01 junho, 2007 20:16  
Blogger vértice avulso said...

claro...
mas não isso que está aqui em causa - ai as palavras! ai as palavras! - é a questão de se reconhecer legitimidade a uns e não a outros. um exemplo talvez ajude: depois de criada uma linhagem, a sucessão - embora possa haver problemas de descendência - biológica e natural, só por si, legitima que seja A e não B a ter direito a chefiar; mas essa linhagem teve de ter um momento inicial, literalmente, original, e a minha pergunta reside aí, no critério que teria feito reconhecer autoridade a certos seres humanos.é o problema da escolha do líder, não da consciência de que é necessário haver um líder. claro que é impossível chegar a uma resposta exacta. postei sobre isto por me intrigar tanto.

02 junho, 2007 10:36  
Anonymous f.a.m. said...

Quanto a isso, e pese embora a natural obscuridade das origens, talvez a resposta resida na força de certos indivíduos. Dou como exemplo o processo de formação de certas linhagens medievais: por serem bons guerreiros, certos indivíduos conseguiram, por via dessa capacidade guerreira, dominar um território e fundar uma linhagem. Não residirá o problema da escolha do líder na força militar, física ou económica (consoante as épocas) desse indivíduo?

P.S: Sendo provável que vá estanciar uns dias por aí, haverá disponibilidade para um café?

02 junho, 2007 12:40  
Blogger vértice avulso said...

esses são os ingredientes de excelência que mais ou menos se intuem, mais este, que mais me dá que pensar: a vocação sacerdotal, o poder de comunicação com altos planos, a audividência e a clarividência em relação às situações e o poder de criar uma atmosfera de ordem (pq o reconhecimento de excelência física ou económica, embora nivele os seres, não traz sempre o acatamento). claro que só tenho as ideiais gerais soltas e confusas que a escola e as aulas de história deixaram em relação a épocas sobre as quais já há mais estudos.começando a recuar é que tudo misterioso.a questão é mais que complexa, porque implica já excelências de ordem espiritual, o que nunca é pacífico. este ponto é difícil de ser"teclado"! só mesmo com um café, realmente. qdo vieres, manda sms e logo se combina:)

(no próximo fim de semana não estou cá)

02 junho, 2007 14:01  
Blogger n said...

em abstracto: um líder conquista autoridade por ser o AUTOR de algo que é valorizado por um grupo de pessoas.
é uma questão de poder. o líder PODE qualquer coisa (que é importante para o grupo) que os outros não podem.
bj.

19 janeiro, 2009 01:19  

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